
SUGESTÕES DE LEITURA
Cell - Chamada para a Morte
Stephen King

- Género: Policial/Thriller
- Editora: 11x17
- Ano: 2006
- Nº de páginas: 488
Stephen King, o grande senhor do mistério e do terror, inovou por completo o apocalipse zombie e escreveu uma história extremamente sangrenta, intrigante, cheia de suspense e ação. Nela, Clayton Riddel que tinha acabado de conseguir um bom negócio, após anos de frustração. Para comemorar, comprou um presente para sua ex-mulher e estava ansioso para voltar a casa e tentar reconquistá-la, assim como também queria muito ver o seu filho. Mas depois tudo acontece e ele assume-se personagem principal de um verdadeiro terror.
«Cell» tem uma premissa bastante interessante na verdade, embora um pouco "louca", bem ao estilo do escritor: ver que de um momento para o outro as pessoas que usam telmóvel começam a matar-se brutalmente e a enlouquecer é assustador; e Stephen King descreve cada detalhe com precisão. E o mais intrigante na história é que ninguém sabe o motivo para tal estar a acontecer, sendo que a única coisa que se tem como garantido é que não é seguro fazer chamadas pelo telemóvel.
É impossível ler o livro e não refletir sobre como a tecnologia nos atingiu e mudou radicalmente o nosso quotidiano. Claro que a tecnologia e a internet são extremamente úteis, mas não haverá pessoas que abusam? Acho que o livro nos passa uma mensagem sobre isso mesmo, sobre usarmos essas máquinas a nosso favor, para vivermos a vida e não ser só tirar fotos dela enquanto a vemos passar.
A MINHA AVALIAÇÃO: 8.0/10
O Fanático do Sushi
Domingos Amaral

- Género: Policial
- Editora: Leya
- Ano: 2016
- Nº de páginas: 128
Um livro pequeno e condensado, de fácil e rápida leitura - ideal para um dia de quarentena ou para uma bela tarde de verão na praia à beira-mar.
"O Fanático do Sushi" é um policial divertido e com uma história simples, bem narrada e 100% portuguesa! A dupla de inspetores é constituída pelo cliché polícia "bom" / polícia "mau", como já é habitual neste tipo de livros. Domingos Amaral descreve-os na perfeição e consegue enaltecer as suas características na perfeição, que sejam boas ou más, claro. Além destas, existem muitas outras personagens que têm tanto de bizarro quanto de engraçado, a começar pelos nomes. "Doutor Vodka" é só um exemplo.
A história é muito intrigante e vai-se revelando muito próxima de algumas situações que ocorrem na realidade à medida que os inspetores descobrem mais e mais detalhes dos crimes e sobre os suspeitos. Como sempre, os motivos dos crimes são a grande questão desta história e isso vai ser o que mais cativará os leitores a chegarem ao final do livro, ainda que, no final, feitas bem as contas, o motivo seja sempre o mesmo.
A MINHA AVALIAÇÃO: 8.5/10
O Vendedor de Passados
José Eduardo Agualusa
Este foi o meu primeiro contacto com o escritor angolano José Eduardo Agualusa, embora já há algum tempo que tencionava ler uma das suas obras.
Logo nas primeiras páginas fica claro que J.E.Agualusa prima pela originalidade. Nunca antes tinha lido um livro narrado por uma osga. Uma osga, sim, leram bem, a história é mesmo narrada por um réptil de pele escorregadia e lustrosa. Esta osga chamada Eulálio foi, em tempos, um ser humano. É ele que nos conta a história de outra personagem invulgar, Félix Ventura, o vendedor de passados.
Félix tem uma profissão invulgar, cria e vende árvores genealógicas à alta burguesia angolana, mas como se isso não bastasse para o diferenciar de todas as outras personagens literárias, acontece que Félix é também um angolano albino.
A escrita do autor é muito criativa e tem um estilo próprio. Achei incrível a forma como o autor glorifica o passado e a forma refrescante como aborda temas pesados. O que me levou a não gostar tanto assim não foi a escrita em si, mas sim a estrutura do livro, pois é constituído por pequenos capítulos e muitas vezes a relação entre eles não é nada óbvia (e talvez nem sempre exista!?), o que leva o leitor a dispersar muito.
A MINHA AVALIAÇÃO: 6.0/10

- Género: Romance
- Editora: Quetzal Editores
- Ano: 2017
- Nº de páginas: 152
Estar Vivo Aleija
Ricardo Araújo Pereira

- Género: Humor
- Editora: Tinta da China
- Ano: 2018
- Nº de páginas: 150
Todo o mundo conhece Ricardo Araújo Pereira pelo seu enorme talento humorístico, mas poucos conhecem o seu, talvez, ainda maior talento para a escrita. Antes de mais, não sei se os caríssimos leitores repararam que comecei esta publicação com a expressão "Todo o mundo", algo tipicamente brasileiro. Quero deixar aqui bem explícito que não foi um erro linguístico da minha parte, não senhora; este livro que vos trago hoje, genial por sinal, é a junção de todas as crónicas escritas por Ricardo Araújo Pereira para o jornal "Folha de S. Paulo", no Brasil.
É um livro incrivelmente bem escrito e surpreendente, capaz de nos fazer soltar gargalhadas a cada página que lemos. O livro está recheado de ideias originais, como já é hábito por parte deste escritor, e de pensamentos e reflexões que, de outra forma, não faríamos. Por exemplo, um dos textos chama-se "Falangetas Pérfidas" e outro fala sobre chulé. Quem mais poderia juntar, no mesmo livro, crónicas com temas tão pertinentes como estes? E o mais incrível é que o escritor consegue sempre fazer uma crítica à sociedade que tem todo o cabimento, no meio de tantas palavras pérfidas e, possivelmente, fedorentas. Imaginem que, por acaso, alguém se lembrava de comparar o escândalo sexual de Donald Trump com a atriz pornográfica Stormy Daniels com a Bela e o Monstro. Pois é, tinha tudo para dar errado; mas Ricardo Araújo Pereira consegue transformar isto não só numa crónica brilhante, como num mar de gargalhadas a cada frase lida.
Uma escrita fluida que nos faz querer ler sempre só mais uma e outra página, chegando rapidamente ao final do livro. Além disso, no fim de cada crónica o escritor consegue deixar-nos a pensar com o seu humor inteligente e os seus trocadilhos e comparações extraordinariamente bem elaborados. Ainda assim, Ricardo Araújo Pereira alerta: "Não tenho a certeza de que estes raciocínios façam sentido".
A MINHA AVALIAÇÃO: 9.0/10
Morreste-me
José Luís Peixoto
São cerca de sessenta páginas que se lêem rapidamente (eu li numa noite), mas que nos deixam a pensar durante dias, semanas, meses ou até mesmo para todo o sempre. O autor descreve a caminhada final do pai doente, o sofrimento da família e os seus próprios sentimentos, o que até pode parecer algo estranho, por ser tão íntimo, mas ao mesmo tempo admirável e maravilhoso, porque é necessária coragem para contar a toda a gente aquilo que nos vai cá dentro.
Não é ficção. Aconteceu mesmo. Foi o primeiro livro de José Luís Peixoto e revela o talento incrível de colocar em palavras os sentimentos que nós nem sempre sabemos exprimir e, inevitavelmente, escrever.
Não consigo exprimir como é que em certas páginas me senti eu mesmo a morrer um pouco por dentro, com descrições tão breves, mas pungentes, do que é acompanhar alguém que morre todos uns dias mais um bocado, fazendo a família sangrar por dentro. Em contrapartida com essa tristeza, surgem recordações do pai vivo e a felicidade da infância, contrapondo, de forma dura, a ausência numa casa que fica vazia.
Confesso que este não é o meu género de livros predileto, mas garanto que este é um livro intenso, mas dramático, que se lê a bom ritmo, como só se podem ler todos os livros excecionalmente bem escritos.
A MINHA AVALIAÇÃO: 8.0/10

- Género: Romance
- Editora: Quetzal
- Ano: 2009
- Nº de páginas: 64
Entre Mortos e Feridos Não Escapa Ninguém
Peter Brooklyn

- Género: Policial
- Editora: Guerra e Paz
- Ano: 2017
- Nº de páginas: 176
Relativamente pequeno e escrito num tom surpreendentemente leve para o género (policial, embora o autor lhe chame romance), este é um livro que cativa, em primeiro lugar, por umas quantas observações certeiras que contém; e em segundo porque se passa em Portugal. É uma obra de ficção e qualquer semelhança com a realidade pode muito bem ser pura coincidência, mas o que é certo é que as semelhanças entre as personagens da ficção e as do mundo real estão lá e não é difícil olhar para esta história e ver nela alguns reflexos de uma realidade conhecida.
Claro que parte desta leveza deriva também do facto de tudo ser narrado de forma muito sucinta e isto, por vezes, deixa a sensação de alguma pressa na forma como certas partes do enredo são contadas. Existem muitos pontos finais, muitas frases curtas e assertivas, num estilo de escrita pouco comum, mas que confere fluidez à leitura. No entanto, há muitos segredos na vida das vítimas e a forma como são revelados deixa, por vezes, a impressão de que o mistério podia talvez ter-se alongado um pouco mais. Ainda assim, não deixa de surpreender o impacto das revelações, bem como a forma como tudo se encaminha para um final que, mesmo não sendo o mais surpreendente, não deixa ainda assim de ser estranhamente adequado.
E há como que um toque suplementar na forma como o inspetor Pereira se dedica também a investigar um possível crime do passado. Mais uma vez, fica a sensação de que mais haveria a dizer, até porque este ramo da história surge de forma muito discreta, mas dá-lhe, ainda assim, um novo toque de mistério que torna tudo ainda um pouco mais interessante.
Breve, intrigante e de leitura agradável, trata-se, portanto, de um policial descontraído, capaz de cativar do início ao fim. Podia ser mais longo? Sim, mas não deixa de ser uma excelente leitura e, quem sabe, se o autor não se volta a inspirar no nosso Portugal para uma continuação desta história fantástica.
A MINHA AVALIAÇÃO: 8.5/10
M*rdas Que O Meu Pai Diz
Justin Halpern
Justin Halpern é capaz de ser o melhor contador de histórias e peripécias que alguma vez li.
Imaginem que a vossa cara metade termina a relação e sai de casa, deixando-vos com montes de contas para pagar e, para cúmulo, estão desempregados. A única solução a que Jutin Halpern chegou foi voltar para casa dos pais, o que não seria algo assim tão mau... desde que o vosso pai não seja Sam Halpern, um reformado médico nuclear, resmungão e com mau feitio, a dizer asneiras a toda a hora. "Tudo o que te peço é que arrumes as tuas merdas e não deixes o teu quarto como se tivesse sido assaltado. Ah, e lamento que a tua namorada te tenha deixado" foi a forma calorosa de receber o filho.
O que Justin Halpern não sabia é que o regresso a casa dos pais iria mudar a sua vida para sempre. De coração despedaçado e sem grande ocupação diária, decidiu retomar a mania de apontar todas as histórias incríveis e inconvenientes do pai. Dessas notas nasceu uma conta no Twitter e, de repente, os cinco amigos do autor e os poucos seguidores da conta transformaram-se em mais de 700 mil. E depois disso mais de um milhão. Os números não pararam de aumentar e toda a gente adorava Sam Halpern, o pai resmungão e inusitado.
Quando soube que as suas frases e, consequentemente, a história da sua vida iriam ser transformadas num livro, Sam Halpern foi bem claro: "Não dou entrevistas, não quero falar com ninguém, nem quero que me aborreçam." E, num rasgo de boa vontade, desabafou: "Não acredito que alguém vá publicar uma coisa escrita por ti. É incrível, alguém te vai pagar para fazeres isto! A ti! Vais ter um livro teu nas livrarias! Não me leves a mal, mas é inacreditável. Estou muito orgulhoso de ti, filho. Toma, come uns cereais".
Um livro extraordinário, recheado de momentos hilariantes e fascinantemente viciante.
A MINHA AVALIAÇÃO: 9.5/10

- Género: Humor
- Editora: Pergaminho
- Ano: 2011
- Nº de páginas: 168
O Livro do Filho da Puta
Manuel Maria Tolentino

- Género: Humor
- Editora: Guerra e Paz
- Ano: 2016
- Nº de páginas: 112
«O verdadeiro filho da puta gostava de ser Deus para estar isento do juízo final e para, denunciando tantos filhos da puta quanto os necessários, ter um mundo inteiro só para si».
É assim que começa o fantástico livro de Manuel M. Tolentino, com uma comparação mascarada entre os verdadeiros filhos da puta e os egoístas da nossa sociedade, aqueles que passam por cima de tudo e de todos para alcançarem os seus objetivos, mesmo que muitas vezes sejam objetivos inúteis e fúteis.
Neste livro, o autor descreve, sem pudor, todas as situações que considera serem as mais filhas da puta desta vida. Escreve sobre política e políticos, futebol, turismo, atividades profissionais, anatomia, gastronomia, religião e geografia. Nada (nem ninguém) escapa à análise rígida e humorista de Manuel M. Tolentino que, deste modo, consegue estabelecer comparações com a sociedade em que vivemos, despindo-a de preconceitos mascarados e perfeitamente escondidos nos poços mais profundos do nosso quotidiano. Este livro é, portanto, uma espécie de "manual de regras" filhas da puta.
Porque, no fundo, todos o somos um bocadinho, não é verdade?
A MINHA AVALIAÇÃO: 8.5/10
Bartleby, o Escrivão
Herman Melville
"Acho melhor não" é a frase mais lida em todo o livro de Herman Melville. Bartleby, um simples e pacato escrivão, é o grande protagonista da história e uma das melhores personagens que já li: misterioso, intrigante, obscuro e desconcertante. Um livro fantástico, pequeno e que facilmente é devorado numa noite de insónias.
A história é contada pelo sócio do escritório de advogados, que se esforça para desvendar a misteriosa e impenetrável personalidade de Bartleby, um escrivão que se recusa resolutamente a realizar qualquer tarefa, sem apresentar nenhuma justificação para tal. O fascínio pela postura do funcionário impede o advogado de tomar medidas extremas e, quando finalmente decide despedi-lo, é confrontado com a mesma negativa inabalável. A cada resposta evasiva de Bartleby, abre-se caminho para a entrada do insólito no quotidiano do escritório e até da vizinhança.
Repleto de humor e jogos de linguagem e com estilo que não dá ao leitor possibilidade alguma de abandonar o livro, o clássico de Melville oferece uma reflexão profunda sobre a natureza humana e o modo como nos relacionamos com o mundo. Podia dizer mais, mas "acho melhor não", leiam!
A MINHA AVALIAÇÃO: 8.5/10

- Género: Romance
- Editora: Relógio D'Água
- Ano: 2015
- Nº de páginas: 64
O Escritor Fantasma
Zoran Zivkovic

- Género: Romance/Mistério
- Editora: Cavalo de Ferro
- Ano: 2012
- Nº de páginas: 144
Pouco mais de cem páginas que se leem com a rapidez de quem quer descobrir o misterioso final.
A forma como as diversas personagens vão surgindo e dando algumas e ligeiras pistas sobre o final; e a maneira como O Escritor (não tem nome em todo o livro) ultrapassa a sua crise existencial e fraco momento de inspiração é algo que não posso deixar passar em branco neste excelente livro. Tudo isto aliado à relação entre O Escritor e o seu gato, que lhe vai pregando partidas, mostrando a vida pouco atribulada da personagem principal, como que metaforizando a solidão da maioria dos escritores de hoje.
Um autêntico suspense do início ao fim, onde a minha primeira reação, no final do livro, foi achar que não tinha percebido. No fundo entendi o que tinha acontecido, mas não quis acreditar que tinha sido tão bem desenvolvida a ideia ao longo de todo o livro e eu nem me apercebera. Preferi pensar "não pode ser isto". Mas é.
A MINHA AVALIAÇÃO: 9.5/10
O Nome das Coisas
Sophia de Mello Breyner Andresen
Em "O Nome das Coisas", a eterna poetiza Sophia de Mello Breyner Andresen consegue paralelizar assuntos da História do nosso país com os seus sentimentos, pensamentos e afins.
Para além de, como já é habitual na sua belíssima escrita, conseguir transmitir precisamente aquilo que deseja; em alguns poemas somos levados a ter, talvez, opiniões contraditórias às da autora. No entanto, com a sua escrita consensual, consegue levar a cabo a excelente transmissão de diversos assuntos sobre o nosso país e, incredulamente, muitos deles ainda bastante atuais, quando comparados com a época em que a poetiza os descreve e metaforiza.
Um livro excelente que tem como único defeito, a meu ver, o enorme prefácio de Fernando Cabral. Para mim, Sophia, é sem dúvida a melhor poetiza portuguesa de sempre.
A MINHA AVALIAÇÃO: 9.5/10

- Género: Poesia
- Editora: Assírio e Alvim
- Ano: 2015
- Nº de páginas: 112
O Nome Daquele Que Não Tem Nome
Kabir

- Género: Poesia
- Editora: Assírio e Alvim
- Ano: 2018
- Nº de páginas: 96
Não se sabe muito da vida deste poeta e místico, que terá vivido na Índia na primeira metade do século XV, mas os seus poemas transportam-nos para um encontro com o mistério que, nas nossas palavras, acaba sempre por as ultrapassar.
Kabir vive no cruzamento de duas religiões, nem sempre em convívio pacífico: o hinduísmo e o islão. No encontro com estes dois mundos, Kabir aponta para o mistério de Deus, o caminho para a paz e a fraternidade.
A poesia de Kabir está recheada de uma linguagem afetiva, de amor, sempre na procura pelo outro. Já a linguagem do autor recorda-nos outros místicos (cristãos) que, na linguagem conjugal presente na Bíblia, não deixaram de abrir caminhos de oração a que todos os cristãos podem aceder. Com este livro, conseguimos perceber que, na nossa vida, a única distância existente é a levantada pelos nossos juízos, violências e ruturas.
A MINHA AVALIAÇÃO: 8.5/10
Não Sou Um Serial Killer
Dan Wells
A sugestão da semana é um livro fascinante que conta a história de um rapaz, John Wayne Cleaver, que tem instintos psicopatas e é obcecado por assassinos em série, ainda que seja bem comportado e muito calado.
Uma personagem de extrema importância é o Dr. Neblin, terapeuta de John, que o ajuda a superar (ou pelo menos a tentar) a total indiferença que o jovem sente para com os vivos e a enorme necessidade que sente para aborda os mortos. Já a personagem de Max Records, talvez o único amigo de John, é bastante complexa, pois não consegue verda-deiramente chegar a ser "amigo" de John, pois este é totalmente frio e indiferente para com os humanos vivos.
Um livro empolgante, narrado de forma exímia e com excelentes momentos de auto e hetero reflexão ao longo de toda a história. Quanto ao desfecho, deixa-nos com aquele gosto amargo na boca.
GÉNERO: Policial/Suspense
A MINHA AVALIAÇÃO: 9.5/10

- Género: Suspense/Thriller
- Editora: Contraponto
- Ano: 2012
- Nº de páginas: 240
A Metamorfose
Franz Kafka

- Género: Romance
- Editora: Presença
- Ano: 2009
- Nº de páginas: 80
Esta semana dou-vos como sugestão de leitura o excelente livro de Franz Kafka, um dos melhores e mais influentes autores do século XX.
Nesta obra Gregor é a personagem principal. É- -nos descrito como um jovem que, certo dia, acorda no corpo de um animal completamente asqueroso. Ainda assim, não conseguimos evitar sentir simpatia por ele e pela situação que vive, tendo até mesmo pena pelo infeliz acontecimento.
A história em si é uma metáfora (quase) perfeita aos alienados da sociedade, que são rejeitados por aquilo que aparentam e não aceites por aquilo que são.
Para mim, esta história, demonstra ainda o egoísmo do ser humano, personificado pela família de Gregor. O final é inquietante, mas não deixa de ser perfeito.
A MINHA AVALIAÇÃO: 9.0/10
Nem Todas As Baleias Voam
Afonso Cruz
A sugestão desta semana é a excelente obra de Afonso Cruz, que capta a nossa atenção desde o início ao fim do livro. Esta é uma obra que cruza uma série de géneros: o romance (romântico e histórico), o thriller com um toque de espionagem e, claro, a poesia.
Um livro com ideias soberbas e muito bem trabalhadas , desde a música (jazz) como técnica para combater a Guerra Fria até à caixinha de sapatos para os doentes terminais. Também exuberantemente esculpidas foram as perso-nagens, salientando aqui o papel de Natasha Zimina, que nunca aparece na história, mas que está sempre presente; e o papel de Tristan, filho de Erik Gould, que explora a condição neurológica (que é como quem diz, a doença) de sinestesia de forma incrédulamente fantástica e eficaz.
Afonso Cruz é, para mim, o mais completo dos escritores portugueses da atualidade e este livro merece ser lido por todos.
A MINHA AVALIAÇÃO: 9.0/10

- Género: Romance
- Editora: Companhia das Letras
- Ano: 2016
- Nº de páginas: 280











