Liberdade, liberdade

25-04-2018

Para Baruch Espinoza, grande filósofo do século XVII, a liberdade possui um elemento de identificação com a natureza do "ser". Nesse sentido, ser livre significa agir de acordo com sua natureza.

Há 44 anos atrás, neste dia, aposto que Espinoza andou às voltas no caixão de tanta felicidade. A liberdade é o respeito pelos outros e o respeito que eles nos devem em função dos nossos direitos. No entanto, considero que esse tal conceito de liberdade é muito mais do que isto. É muito mais que a "Grândola Vila Morena", muito mais que cravos vermelhos nas armas dos militares portugueses e muito mais que o fim da censura (será que acabou mesmo?).

Liberdade é a liberdade de expressão, de pensamento. Engloba a maneira de vestir, a orientação sexual e as palavras que falamos ou ouvimos. Engloba-nos.

Liberdade é não precisar de nada para ser livre.

Liberdade é descer do castelo da ilusão e andar descalço pela vida fora, tendo sempre em atenção os vidros que possamos encontrar. É olhar com doçura para tudo, sem se deixar prender demasiado.

Liberdade é dar asas ao coração, soltar da gaiola os sentimentos e permitir-se amar sem medo. Sem receios.

E geralmente a grande maioria de nós confunde a liberdade com o poder, como se ser livre fosse algo para ser conquistado ou debatido, mas não dá para conquistarmos ou debatermos o que já somos, porra!

Liberdade não é poder: é ser.

E a liberdade em 2018 é exatamente igual à de 1974, mas com uma pequena diferença: a mentalidade das pessoas. Parece que quanto mais avançamos cronologicamente, mais regredimos mentalmente. É triste, mas ainda podemos mudar isto! Faltam-nos Zecas Afonso, pessoas com coragem, que queiram o bem dos outros e não apenas o seu próprio bem. Sim, é verdade que faltam.

Mas eles hão-de chegar novamente... Digo eu.

Daniel JF Santos

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